Da revista

Tangshan: o terramoto de 1976 e a cidade reconstruída sobre a sua falha

Antes do amanhecer de 28 de julho de 1976, um terramoto de magnitude 7,6 rompeu diretamente sob Tangshan. Em minutos, a maior parte dos edifícios da cidade ficou inutilizável, as minas e as ferrovias foram danificadas, e 242 000 pessoas estavam mortas segundo a contagem oficial. A cidade foi reconstruída, e o carvão, o aço e um porto são o resultado.

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O minuto antes do colapso

O expresso de Jining para Sanheshu partiu de Tianjin à hora prevista, às 3h06 da manhã de 28 de julho de 1976, rebocado por uma locomotiva diesel do depósito de Shanhaiguan. Às 3h42 seguia a cerca de cem quilómetros por hora entre Beintang e Chadian. O maquinista viu o mastro do sinal à frente a oscilar, sentiu a locomotiva atirada de um lado para o outro e viu um largo clarão azul ao longo do horizonte sudeste. Interpretou-o como luz de terramoto e travou a fundo.

O abalo chegou enquanto o comboio ainda abrandava. O leito da via moveu-se, sete carruagens saíram dos carris e 370 travessas de betão foram esmagadas. Como a velocidade já tinha baixado, a tripulação e todos os mais de 740 passageiros saíram com vida.

Sob a cidade, os mesmos segundos fizeram muito mais. A rutura começou cerca de doze quilómetros sob a parte sul de Tangshan e correu para nordeste ao longo de uma falha que passa sob o centro. Na cidade, o abalo atingiu XI na escala chinesa de doze graus. Em minutos, 85 por cento dos edifícios da cidade tinham ruído ou estavam inutilizáveis, os sistemas de água, energia e comunicações tinham falhado, e a maior parte das pontes rodoviárias e ferroviárias estava em baixo ou gravemente danificada. Cerca de 10 000 mineiros estavam no subsolo. Os túneis resistiram, mas a energia desapareceu: nenhuma luz além da dos capacetes, nenhuma ventilação, nenhum elevador a funcionar. A maioria dos mineiros saiu em poucas horas; alguns levaram duas semanas a chegar à superfície.

Tijolo sobre uma falha pouco profunda

A planície agravou os danos. Tangshan situa-se na orla norte da planície Pequim–Tianjin–Tangshan, onde os sedimentos trazidos dos montes Yan atingem até três quilómetros de espessura, e a cidade assentava numa falha pouco profunda e recentemente ativa. Quase nada tinha sido construído a pensar em terramotos. Tangshan era sobretudo uma cidade de edifícios de tijolo sem reforço sobre uma importante linha de falha, e o risco sísmico fora grandemente subestimado.

A hora também importou. O primeiro abalo veio às 3h42 da manhã, quando a maioria das pessoas dormia, e não houve precursores percetíveis que as avisassem. Um ano antes, em Haicheng, um sismo menor foi enfrentado com precauções após uma série de precursores, e o baixo número de vítimas foi lido como prova de que os terramotos podiam ser previstos. Tangshan não teve tal sequência, e nenhum aviso de curto prazo foi emitido.

O número oficial de mortos é de 242 000. O valor só foi tornado público em novembro de 1979, três anos depois do acontecimento, e no intervalo as estimativas do exterior tinham preenchido o vazio. O abalo sentiu-se a 1 100 quilómetros de distância, danificou quase um décimo dos edifícios de Pequim e atingiu intensidade VII até à costa do Bohai e às colinas a norte de Zunhua. Um segundo abalo de magnitude 7,0 seguiu-se às 18h45 dessa tarde, perto de Luanxian, e doze réplicas de magnitude 6 ou mais vieram depois.

Carris, poços e uma cidade nova

A reparação começou antes de os escombros serem limpos. Mais de 42 000 pessoas foram mobilizadas nas ferrovias; a linha Tongxian–Tuozitou abriu em 3 de agosto, uma via da linha Pequim–Shanhaiguan em 7 de agosto e ambas as vias em 10 de agosto, com comboios a atravessar pontes provisórias a velocidade reduzida. A energia chegou a algumas minas em três dias e algum carvão foi extraído em dez. Esvaziar os poços inundados, revisar o equipamento elétrico e reconstruir as obras de superfície levou um ano e meio, e o nível de produção anterior ao sismo só foi atingido no final de 1977.

A cidade que substituiu a vila de tijolo é uma cidade de indústria pesada. Tangshan é um centro carbonífero desde a abertura das minas de Kaiping em 1877, e produz hoje aço, cimento, vidro, produtos químicos e cerâmica; é descrita como a capital da porcelana do norte da China, e o seu porto está entre os dez maiores do país. O seu passado industrial conserva-se no Parque Mineiro Nacional de Kailuan e a sua água no Parque Nanhu, ambos no distrito de Lunan. A cidade também foi pioneira na indústria: a primeira ferrovia de bitola padrão, a primeira oficina ferroviária, a primeira locomotiva a vapor e a primeira fábrica de cimento da China.

O terramoto tem os seus próprios marcos: o Monumento Antissísmico, na Praça Antissísmica, e um parque memorial cujo muro leva os nomes dos mortos, acrescentados em várias campanhas desde 1992. O filme de Feng Xiaogang de 2010, Aftershock, tomou o terramoto e as décadas seguintes como tema.

O muro memorial do parque do terramoto de Tangshan, no lado sul da cidade reconstruída.
O muro memorial do parque do terramoto de Tangshan, no lado sul da cidade que foi inteiramente reconstruída depois do sismo.
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Créditos e direitos das fotografias
  1. O muro memorial do parque do terramoto de Tangshan, no lado sul da cidade que foi inteiramente reconstruída depois do sismo.Zinderboff · CC BY 4.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗ Convertida para WebP.