Da revista

Uma escola milenar debaixo da montanha

A academia Yuelu foi fundada em 976 ao pé da montanha Yuelu e nunca deixou de ensinar. Os seus fundadores, os seus mestres e a universidade que cresceu do complexo são os três tempos da continuidade de uma escola.

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A academia na encosta ocidental

A escola começou como uma deixa de monge tornado permanente. Em 976, no nono ano da era Kaibao (开宝), Zhu Dong, prefeito de Tanzhou — o nome então dado a Changsha (长沙) —, fundou a academia ao pé oriental da montanha Yuelu (岳麓山), em terreno onde dois monges antes tinham aberto o mato e erguido salas de estudo para leigos. O local foi escolhido com critério: ao pé da colina arborizada na margem ocidental do Xiang, a uma curta travessia de barca da cidade murada, perto o suficiente dos estudiosos e longe o bastante para haver silêncio. O reconhecimento veio do topo. Em 1015 o imperador Zhenzong (真宗) convocou à corte o reitor Zhou Shi, elogiou a escola que dirigia e escreveu com a sua própria mão a tabuleta com o seu nome; a caligrafia imperial sobrevive como inscrição em pedra e, a partir daí, dizem os registos, o nome da academia tornou-se conhecido em todo o império enquanto os seus livros de matrícula e os seus edifícios cresciam. Os contemporâneos contavam-a entre as quatro grandes academias da época — uma lista que varia entre as fontes, mas na qual Yuelu aparece em todas as versões. Os edifícios arderam várias vezes: a guerra arruinou a escola no fim da dinastia Song (960-1279), quando se registam centenas de alunos mortos na queda da cidade diante dos mongóis.

Placa de madeira esculpida com quatro caracteres grandes sobre uma porta escura
A placa esculpida com os caracteres 實事求是 pousa sobre o salão de conferências, um lema que foi depois adoptado muito para além da academia.

Os mestres e as suas dissidências

As dissidências que aqui se debatiam ficaram tão afamadas que esvaziavam os tanques. Em 1167 o filósofo de Fujian Zhu Xi (朱熹) viajou até Changsha para discutir com Zhang Shi, reitor da academia, e as suas conferências conjuntas — lembradas como a discussão conjunta Zhu-Zhang — decorreram no salão durante dois meses, com os ouvintes a acorrer; uma imagem de época afirma que os cavalos e os animais de carroça dos visitantes beberam o tanque até o secar. Zhu Xi regressou em 1194 como comissário de pacificação da região, reconstruiu a escola e promulgou regras de ensino, e a corrente neoconfuciana conhecida como escola Huxiang adensou-se em torno da montanha. Sob os impérios posteriores a academia manteve a sua fidelidade Song à auto-cultivação moral enquanto abria o currículo à arte de governar — obras públicas, economia política, gestão da burocracia —, e os seus graduados conduziram o século XIX: Zeng Guofan, organizador do Exército Xiang; Zuo Zongtang, o general que reconquistou o Xinjiang; Guo Songtao, o primeiro embaixador da China junto de um país estrangeiro; Cai E, que empunhou as armas pela jovem república; e, antes deles, o filósofo Wang Fuzhi, aluno dos fins da dinastia Ming (1368-1644). O dístico do portão ainda se gabava com todas as letras: Chu produziu os talentos, e aqui é que eles se reuniram.

Grupo de visitantes junto ao portão aberto de uma academia tradicional chinesa
Visitantes reúnem-se sob o portão da Academia Yuelu (岳麓书院), onde a placa do nome e os dísticos se voltam para o pátio.

A escola que nunca saiu

Em 1903 as reformas do fim da dinastia Qing (1644-1912) converteram a academia num instituto moderno de ensino superior; até 1926 as escolas da colina fundiram-se na Universidade de Hunan, e a academia tornou-se parte dela — a única das antigas academias chinesas de aprendizagem clássica que evoluiu continuamente para uma universidade moderna. A escola nunca saiu de facto. Dentro do complexo restaurado a universidade mantém uma faculdade que recebe estudantes de licenciatura e doutoramento em história e filosofia, e o pavilhão da biblioteca imperial continua a servir de biblioteca de obras raras da universidade para professores e alunos. O tecido é em grande parte Qing, remontado com paciência depois da catástrofe: as bombas japonesas atingiram os edifícios em 1938 e 1941, e a Revolução Cultural deixou-os quase em ruínas antes de uma restauração de cinco anos abrir as portas aos visitantes em Outubro de 1986. Em 1988 o Conselho de Estado incluiu a academia na lista nacional de sítios protegidos. O visitante de hoje percorre um eixo de 21.000 metros quadrados — portão, segundo portão, salão de conferências ladeado de salas de estudo, biblioteca, templo de Confúcio —, e passa pela estela do templo Lushan, gravada pelo mestre Tang Li Yong em 730, um dos monumentos celebérrimos guardados dentro destes muros.

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Créditos e direitos das fotografias
  1. A placa esculpida com os caracteres 實事求是 pousa sobre o salão de conferências, um lema que foi depois adoptado muito para além da academia.JULIANISME / CC BY-SA 4.0 · CC BY-SA 4.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗
  2. Visitantes reúnem-se sob o portão da Academia Yuelu (岳麓书院), onde a placa do nome e os dísticos se voltam para o pátio.WFan / CC BY-SA 4.0 · CC BY-SA 4.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗