Da revista

Como o inverno se tornou possível

Shouguang perdeu o comércio de legumes, construiu em 1984 o maior mercado grossista do país e, a partir de 1989, usou estufas de plástico para dar à China legumes frescos no inverno.

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Um lugar agrícola há muito tempo

Shouguang é um lugar agrícola há muito tempo. Assenta numa planície aluvial drenada pelo rio Mihe, numa das primeiras partes da China onde se cultivou cereal, com sítios das culturas de Dawenkou e de Beixin e um povoado Dongyi de cerca de 3000 a.C. A água do rio e a terra que ele depositou explicam essa longa história. Na dinastia Han era um condado e já uma das maiores bases cerealíferas da China e um centro de comércio de sal. No século VI nasceu aqui Jia Sixie, que escreveu o Qimin Yaoshu, o mais antigo livro de agricultura da China. Sob os Ming e os Qing o condado pertencia à prefeitura de Qingzhou, e os legumes aqui cultivados já eram bem considerados. O cereal, o sal e os legumes sucedem-se no mesmo chão.

O comércio que se perdeu e se reconstruiu

Depois o comércio perdeu-se. Com o estabelecimento do planeamento central, a cidade perdeu a posição de produtora de legumes, e foi um mercado grossista que a trouxe de volta. Em 1984, o governo da cidade construiu um mercado grossista de legumes e melhorou o transporte dos produtos, e o mercado cresceu até se tornar o maior centro de comércio de legumes da China. Em 1989, os agricultores começaram a usar estufas de plástico e a apostar em produtos de maior qualidade. A estufa é a mudança que conta: desloca a estação, e um condado que podia vender legumes frescos em janeiro tinha algo que nenhum outro condado tinha. O mercado fez a primeira parte do caminho; a estufa fez a segunda.

Onze por cento ao ano

Os resultados foram medidos. Em 2000, Shouguang acolheu a Exposição Mundial de Legumes, e entre 2000 e 2011 a taxa de crescimento anual da indústria agrícola local foi de 11,12 por cento. Em torno do cultivo cresceram as indústrias que o seguem: embalagem, transformação de alimentos e fertilizantes, e em 2011 a cidade era o maior produtor de papel lustroso e revestido da China. Ao longo da costa há pesca, aquicultura e salinas, que são outra linha da mesma economia. A exposição tornou-se uma das festas, com o festival do papagaio de papel, através das quais a cidade se abriu ao exterior a partir dos anos 1980, e Shouguang tornou-se cidade de nível de condado em 1993.

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