Uma tigela de Cizhou começa com uma argila que os oleiros chamavam daqingtu, grande terra azul. É rica em ferro e de grão grosseiro, e coze a um branco-acinzentado ou amarelo-acinzentado, e não ao branco limpo da louça de Xing ou de Ding. O corpo é torneado na roda ou construído a partir de placas, com moldes usados sobretudo para os apoios de cabeça. Como a argila não é bela em si, o oleiro cobre toda a peça com um engobe branco feito de bom caulino — uma camada que as fontes chinesas chamam huazhuangtu, terra de maquilhagem —, e só então começa a decorar.
A decoração entra nesse fundo branco. As linhas são incisas, as facetas talhadas, o engobe retirado para mostrar uma camada mais escura por baixo, os padrões estampados ou rolados, as faixas de linhas paralelas penteadas através do engobe húmido. Nas peças mais antigas de engobe recortado, o fundo é muitas vezes picotado em anel: a ponta de um bambu pressionada no engobe deixa um campo de pequenos círculos, um recurso tomado da metalurgia. Segue-se um esmalte transparente, e a cozedura fixa o negro ou o castanho contra o branco.
O efeito lê-se à distância. Cizhou é a única grande família cerâmica Song cujo impacto depende do contraste de cor e não de um esmalte monocromático. A cerâmica de corte da época era, numa descrição, implacavelmente monocromática, e a louça de Cizhou não aparece entre as peças de tributo enviadas ao imperador. Os seus clientes eram gente comum. Os recipientes são robustos e muitas vezes grandes: garrafas de vinho, jarros e os travesseiros de cerâmica usados como apoio de cabeça. O topo plano de um travesseiro deixava espaço para uma paisagem, uma cena de teatro ou uma linha de verso.
