Da revista

Beidaihe: uma estância de verão construída sobre areia e migração

Beidaihe é um distrito de Qinhuangdao com 22,5 quilómetros de costa, uma praia de dez quilómetros de areia amarela fina e água pouco profunda, e uma história de villas que começa em 1898. É também um dos corredores migratórios mais movimentados da Ásia Oriental, com uma estação de anilhagem e uma reserva de zonas húmidas.

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Cem metros de areia

A praia de Beidaihe são cem metros de areia amarela fina até à água, e a água é pouco profunda por muito tempo. A faixa turística corre dez quilómetros de leste a oeste, do Pavilhão Yinjiao à foz do rio Daihe. Por trás dela, o monte Lianfeng ergue dois picos cobertos de pinheiros e ciprestes; entre a montanha e a areia ficam as grutas, os pavilhões decorados, os caminhos recatados e as pontes sinuosas que atraem visitantes de todo o país.

O distrito é pequeno: 70,14 quilómetros quadrados, uma linha de costa de 22,5 quilómetros e uma população de 130 104 no censo de 2020. O clima é temperado quente e semihúmido, um clima de monção moderado pelo mar. O distrito tem dois subdistritos, Xishan e Dongshan, e três vilas, Haibin, Daihe e Niutouya. A floresta cobre mais de setenta por cento dele. A temperatura média nos meses de verão é de 24,5 graus Celsius, e o mar é a razão pela qual uma capital pode ser fresca.

No extremo leste, o Pavilhão Yinjiao marca o início da faixa; no extremo oeste, o rio Daihe entra na baía. Entre os dois, os mesmos cem metros de areia repetem-se por dez quilómetros, e o Bohai mantém-se pouco profundo muito para fora. Os pinheiros começam quase na praia, e os mesmos dois picos permanecem à vista ao longo de toda a faixa. A escala é humana do princípio ao fim: areia, água rasa e a linha de pinheiros por trás.

A praia de inverno em Beidaihe, a estância de veraneio do final do século XIX na costa de Qinhuangdao.
A praia de inverno em Beidaihe, a estância de veraneio que remonta ao final do século XIX, na costa de Qinhuangdao.

Villas, sanatórios e um poema

No reinado de Guangxu, na dinastia Qing, estrangeiros que viviam em Pequim pediram autorização para construir villas nesta costa. Em 1898, o governo Qing designou formalmente Beidaihe como estância de verão para pessoas de todas as nações, uma designação que abriu a costa a villas de muitos países. Em 1938 erguiam-se aqui mais de setecentas villas; em 1949 eram 719.

Depois de 1949, às villas juntaram-se as instituições. Construíram-se sanatórios para premiar trabalhadores modelo, e em 1954 foi erguida uma grande Casa de Hóspedes da Amizade para receber conselheiros soviéticos, uma das dezenas construídas em todo o país com esse propósito. O distrito tornou-se retiro de verão da liderança, e as reuniões ali realizadas em cada julho deram ao lugar um peso político desproporcionado ao seu tamanho. Em 1954, hospedado em Beidaihe, Mao Zedong escreveu um poema com o seu nome, que começa com uma tempestade a varrer a terra do norte e ondas brancas a saltar para o céu.

As reuniões de julho foram suspensas em 2003, por ordem de Hu Jintao, e retomadas em 2007, antes do 17.º Congresso do Partido desse outono.

Um acontecimento é inseparável do nome. Em 13 de setembro de 1971, Lin Biao, acusado de conspirar para um golpe, fugiu para a sua villa aqui com a mulher e um filho, embarcou num avião no aeroporto local com destino à União Soviética, e morreu quando este se despenhou na Mongólia.

A outra estação

As aves chegam noutro calendário. Beidaihe fica num dos corredores migratórios mais importantes da Ásia Oriental, e todos os anos passam por ali grandes números de aves pernaltas e outras. Os observadores de aves chamam ao seu habitat uma meca da observação de aves, e a estação municipal de anilhagem é uma das que mais aves anilharam na China. O distrito tem uma reserva municipal de aves migratórias, um parque nacional de zonas húmidas e uma costa que põe zona húmida, água aberta e litoral a poucos quilómetros da praia.

A anilhagem é o modo de tornar legível essa passagem. Uma ave capturada na estação recebe um anel numerado, é medida e libertada, e o número pode mais tarde ser lido noutra estação da rota. Uma só recuperação transforma um bando numa linha entre duas costas.

Aves e praia usam terrenos diferentes. O negócio de verão ocupa a areia e as villas; a migração ocupa a foz do rio, o pântano e as baías rasas. Uma costa construída para villas também guardou terreno molhado, e é o terreno molhado que as aves usam.

Há uma terceira camada, mais antiga do que qualquer das duas. A digressão oriental do imperador Qin deixou um sítio palaciano em Jinzui, nesta costa, e os topónimos do distrito, o rio Daihe, a vila de Niutouya, os subdistritos de Xishan e Dongshan, marcam um litoral que foi nomeado muito antes de se tornar estância.

O que o visitante vê agora é uma coincidência administrada: cem metros de areia, um mar pouco profundo, uma linha de pinheiros e, por trás deles, um pântano que se enche de asas na passagem.

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Créditos e direitos das fotografias
  1. A praia de inverno em Beidaihe, a estância de veraneio que remonta ao final do século XIX, na costa de Qinhuangdao.Dr. Hans-Günter Wagner · CC BY-SA 2.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗ Convertida para WebP.