Em Jiejinkou, aldeia Hezhen de Tongjiang, a pele de peixe é mais do que uma superfície invulgar. O registo nacional chinês do património cultural imaterial descreve a pele de peixes de águas frias do norte como espessa, resistente e durável o suficiente para usos práticos. Regista que os Hezhen aproveitavam os peixes de muitas maneiras: pescavam-nos e comiam-nos, mas também transformavam a pele em roupa, abrigos e barcos. O registo identifica Jiejinkou como o lugar onde esta tradição prosseguiu desde o período Qing até à época moderna. Essa história dá significado a uma peça de vestuário em pele de peixe: pertence a um modo de vida construído a partir do rio, não a uma categoria de traje exótico.
Da revista
Pele de peixe, cortada e cosida: artesanato Hezhen em Jiejinkou
Em Jiejinkou, o trabalho com pele de peixe liga o conhecimento material Hezhen ao vestuário, às coleções museológicas e à arte contemporânea em pele de peixe. O processo passa por etapas distintas, desde a preparação da pele até ao corte, à união das peças e à decoração.
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Um material com história
Uma sequência de trabalho cuidadoso
O registo patrimonial divide o artesanato em cinco grandes etapas: retirar a pele, secá-la, amaciá-la e prepará-la, cortar e unir as peças e, por fim, acrescentar decoração artística. A sequência transforma um material flexível mas resistente num objeto que pode ser vestido ou utilizado. O registo descreve um processo complexo, não um truque ou ferramenta isolados. A lógica prática está visível nas próprias etapas: a pele tem de ser preparada antes de poder ganhar forma, as peças separadas precisam de ser unidas e a decoração só vem depois de o objeto estar montado. Cada passo exige conhecimento do material, da sua espessura e resistência à forma como reage ao corte e à costura.
Um artesanato cuja finalidade mudou
Historicamente, os Hezhen usaram pele de peixe para roupa, abrigos e barcos, além de aproveitarem o peixe como alimento. O artesanato fazia parte de uma cultura material ribeirinha na qual uma captura podia responder a várias necessidades. Em meados do século XX, outros materiais substituíram os produtos de pele de peixe e a prática começou a declinar. Essa mudança alterou o lugar do artesanato na vida quotidiana: um saber prático passou a ser preservado sobretudo por artesãos, coleções e memória cultural. Não é uma história simples de uma peça antiga que sobreviveu sem mudanças. É a história de uma prática material que perdeu alguns dos seus usos anteriores, mas que continua a ter significado para a comunidade.
Da peça de museu à arte contemporânea
As coleções museológicas e a investigação cultural deram aos artesãos mais velhos de Jiejinkou motivos para reproduzir vestuário em pele de peixe. O registo nacional do património menciona também vestes xamânicas de pele de peixe e obras baseadas nos costumes Hezhen. Mais tarde, artesãos jovens adaptaram a técnica tradicional de corte da pele a trabalhos manuais e pinturas contemporâneos. Um relato do People’s Daily de 2026 descreve Yang Shuangyan, artesã de Tongjiang, a cortar pele de salmão tratada para criar imagens de ondas do rio, barcos e gaivotas em voo. Uma resposta do governo de Tongjiang, em 2025, descreve formação, aulas escolares de pintura em pele de peixe e demonstrações para visitantes. Em conjunto, estes exemplos mostram como uma técnica material passou dos objetos de uso para o trabalho museológico, o ensino e a arte contemporânea, servindo finalidades diferentes em cada contexto.