A peónia é a flor da cidade de Heze, e a mudan chinesa é um arbusto lenhoso, e não a planta herbácea tenra dos jardins europeus, crescendo de um quarto de metro a três metros e meio de altura. A diferença é de uma só palavra, lenhoso e herbáceo, mas dá duas plantas muito distintas. A mais antiga menção documental à mudan está no Clássico da Poesia, escrito há quase três mil anos. Os jardineiros chineses criaram as primeiras cultivares ornamentais a partir de plantas cultivadas para medicina nos séculos VI e VII, e as flores tornaram-se moda nos Tang, quando passaram a ser plantadas nos jardins imperiais. Uma só flor dura apenas sete a dez dias, razão pela qual a época é um acontecimento público, e não um prazer privado de quem tem jardim.
Da revista
A terra da peónia
Heze cultiva mais peónias do que qualquer outro lugar da China, um comércio que a cidade data da dinastia Sui e protege com um título formal concedido em 2012.
Na mesma cidade · Heze ↗Um arbusto, não uma planta de canteiro
Luoyang primeiro, Caozhou depois
No século X o cultivo da peónia espalhou-se por toda a China, e Luoyang, sede dos Song, tornou-se o seu centro, posição que a cidade ainda mantém. Um segundo centro desenvolveu-se durante a dinastia Qing em Caozhou, hoje Heze, e ambas as cidades continuam a realizar exposições anuais de peónias e a manter instituições de investigação financiadas pelo Estado. Heze data o seu próprio cultivo dos Sui, diz que floresceu nos Tang e outra vez nos Ming, e que nos Ming e Qing se tornara o centro do comércio da flor em toda a China. O dito local corre assim: «Caozhou tem as melhores peónias do mundo, e Heze tem as melhores peónias do mundo.» Duas cidades, dois tempos, e a mesma flor no centro da frase.
Um título em vez de uma flor nacional
Heze é a maior base de cultivo de peónias do país, e as plantas que produz são vendidas todos os anos para mercados internos e externos. Em 16 de março de 2012, a Associação Chinesa de Flores, respondendo ao pedido da cidade e depois de inspeção e avaliação por especialistas, nomeou Heze capital da peónia chinesa. A flor tem também uma história nacional: em 1994 foi proposta como flor nacional depois de um inquérito em todo o país, mas o Congresso Nacional Popular não ratificou a escolha, e uma segunda seleção iniciada em 2003 terminou igualmente sem decisão. A resposta de Heze foi local: um título, uma feira e campos que florescem durante uma semana. O lugar da flor nacional ficou vazio; a flor, essa, continua a abrir todas as primaveras.