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Niuheliang: uma paisagem construída para a cerimónia

Uma fila de pedras observada durante trabalho de campo mudou a forma como os arqueólogos compreendiam o Templo da Deusa e as colinas à sua volta.

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As pedras em baixo

Em agosto de 2021, arqueólogos que preparavam um corte para fotografia aérea em Niuheliang repararam em pedras perto da sua base. O diretor das escavações, Jia Xiaobing, descreveu depois como a equipa seguiu a linha e limpou a terra por cima. Surgiu outra plataforma construída, a nona identificada no grupo, que sustentava os vestígios conhecidos como Templo da Deusa.

A descoberta mudou uma planta. O templo podia agora ser compreendido dentro de um sistema mais amplo de plataformas, em vez de como um edifício isolado ao lado delas. A sua posição ligava-o às cristas e plataformas escalonadas de um recinto cerimonial deliberadamente organizado.

Cerimónia nas cristas

Niuheliang atravessa a fronteira entre Lingyuan e Jianping, ambas integradas em Chaoyang, no oeste de Liaoning. Os vestígios Hongshan tardios pertencem ao mundo neolítico, muito anterior às dinastias imperiais chinesas. Templos, altares e túmulos cobertos de pedra distribuem-se por uma paisagem maior do que as instalações modernas para visitantes.

As plataformas aproveitaram as cristas naturais enquanto as remodelavam. A disposição ordenada e a construção substancial implicam trabalho coordenado. O centro cerimonial está muito mais bem documentado do que as povoações quotidianas que sustentavam a sua construção e utilização.

Porquê Templo da Deusa?

Os arqueólogos deram este nome ao edifício porque continha uma cabeça feminina e outros fragmentos de figuras femininas de argila. A cabeça conhecida tem incrustações de pedra como olhos. O nome é uma interpretação dos achados, não uma inscrição antiga a identificar uma divindade.

Uma reportagem de 2024 explica que os vestígios do templo tinham voltado a ser cobertos para proteção; um marco identifica o lugar onde a cabeça foi encontrada. O responsável pelo sítio, Wang Xuanlong, distinguiu a réplica mostrada no museu do parque do original, guardado pelo Instituto Provincial de Relíquias Culturais e Arqueologia de Liaoning. Uma réplica pode ajudar a explicar escala e aparência sem levar um original frágil de volta ao local da descoberta.

Um recipiente que não consegue guardar água

Cilindros de cerâmica pintada fornecem outra pista sobre o trabalho especializado do lugar. Parecem recipientes, mas não têm fundo. A forma desvia a atenção do armazenamento ou da cozinha para a colocação cerimonial.

Em conjunto, colinas moldadas, pedras cuidadosamente dispostas e objetos feitos para usos específicos sugerem atividade repetida e organizada. A cerimónia dependia de uma disposição de terreno construído e objetos feitos especialmente, desde as plataformas aos lugares onde se colocava cerâmica e se sepultavam os mortos.

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