O naamyam é uma forma de canto narrativo popular. O Instituto Cultural descreve versos de estrutura regular, grande musicalidade e uma melodia de forte caráter local. Acredita-se que, em Guangdong, remonte aproximadamente ao reinado Qianlong. Os intérpretes conhecidos como gushi — cantores cegos — estavam associados à tradição; o termo naamyam di-shui surgiu de uma designação local para pessoas cegas. O cantor conduz uma história ao longo de versos sucessivos, moldando nomes, reviravoltas e momentos de emoção através da melodia e da frase musical.
Da revista
Naamyam: histórias longas cantadas em Macau
Outrora ouvido em casas de chá e tabernas, o naamyam conta narrativas longas em versos compassados, melodias locais e um pequeno conjunto de instrumentos.

Uma narrativa feita para ser cantada
Zheng, yehu e a forma de uma história
O zheng e o yehu são instrumentos de acompanhamento comuns: um é uma cítara dedilhada com cavaletes; o outro, um alaúde de arco com ressonador de casca de coco. Um programa de Macau também enumera yangqin, xiao, qinqin e pipa entre os instrumentos que podem acompanhar o canto. O repertório inclui temas como lealdade, dever filial, obrigação moral, liberdade e amor. O Instituto descreve o naamyam como muito improvisado, com fortes características regionais e dialetais.
Das casas de chá aos palcos patrimoniais
Em Macau, o naamyam di-shui era outrora cantado em casas de chá, tabernas e lares abastados. As narrativas longas também eram transmitidas pela rádio em Macau e Hong Kong, tornando a arte parte do entretenimento urbano. Mais tarde, o seu material melódico entrou na ópera cantonense sob a forma de naamyam de palco. Quando a cultura popular ocidental alterou os gostos públicos nas décadas de 1960 e 1970, passou a ouvir-se menos como forma independente.
O canto narrativo naamyam de Macau entrou na Lista Nacional do Património Cultural Imaterial em 2011. Intérpretes e associações continuam a ensiná-lo e apresentá-lo em concertos, atividades educativas e programas culturais, mantendo a língua local e a narrativa na vida pública.

