O rabanete Shawo não é uma variedade que se desse bem em qualquer sítio. É cultivado em torno da aldeia de Xiaoshawo, na vila de Xinkou, no sudoeste do distrito de Xiqing, num terreno que as águas das cheias depositaram como areia por cima e argila por baixo, um perfil a que o relato local chama solo de ouro. A água do canal é conduzida para os mesmos campos. Essa combinação sustenta esta cultura há mais de trezentos anos e é também a razão pela qual o rabanete tem o nome de uma aldeia e não o do distrito: o que o torna distinto é uma faixa de terreno com poucos quilómetros de largura. A raiz é cilíndrica, a pele verde, a polpa translúcida, e o sabor é doce, picante, crocante e suculento ao mesmo tempo.
Da revista
A colheita de inverno da areia
Areia sobre argila, água do canal, trezentos anos de cultivo e um rabanete que se tornou marca nacional.
Na mesma cidade · Distrito de Xiqing ↗Areia sobre argila
Um dito e uma exportação
Tianjin tem um dito sobre ele: o rabanete Shawo rivaliza com uma pera. A comparação é tanto sobre textura como sobre doçura, já que o rabanete se come cru e crocante no inverno, e não cozinhado. A partir dos anos 1930 começou a ser exportado para Hong Kong, o Japão e o Sudeste Asiático, o que, para um legume verde de inverno cultivado na orla de uma planície do norte, é uma distância considerável a percorrer. No relato da própria cidade sobre a sua cozinha, o rabanete Shawo aparece numa lista de produtos locais que inclui também castanhas, peras, legumes de inverno, couve, arroz de Xiaozhan e uvas de Chadian, todos atribuídos à mesma geografia e ao mesmo clima.
Cinco marcas e um código
A história moderna do rabanete é uma história de certificação. Em 2007, a vila de Xinkou registou a marca de certificação Shawo no organismo nacional de marcas, definindo a área de produção e os padrões de qualidade. Desde então, esta cultura foi aprovada como produto nacional de indicação geográfica, e as suas técnicas de cultivo e de armazenamento entraram na lista do património cultural imaterial de Tianjin. Em 2024, a marca entrou no programa nacional de marcas agrícolas, tornando-se a segunda marca agrícola de Tianjin a fazê-lo depois do arroz de Xiaozhan, e em novembro desse ano a vila lançou cinco marcas e um código que abrangem o selo de indicação geográfica, o selo de área agrícola segura, um selo de produtos agrícolas de Tianjin, a marca registada e um código antifalsificação.