O nome Jiuzhaigou conta nove aldeias; três permanecem dentro do parque, onde as famílias ainda trabalham os campos ao lado de um percurso fixo de visitantes.
Texto Redação de IFreeing3 min de leituraJiuzhaigou · Aba
Uma casa com um campo atrás
Atrás do caminho dos visitantes, numa das três aldeias, uma casa dá para um pequeno campo. Um muro baixo separa o campo da viela, e um portão abre para os dois. O percurso dos visitantes é fixo; o percurso da casa não é. O arranjo é doméstico e não monumental: casa, quintal, campo, caminho, por essa ordem. Os visitantes passam no percurso fixo ali perto, e a casa continua a trabalhar. A cena é comum, e é isso que a torna digna de descrição. A aldeia não é uma peça disposta para o parque. É um lugar onde o dia ainda começa com tarefas, e a rota turística é apenas o caminho mais recente que a atravessa.
Nove nomes, três aldeias
O nome Jiuzhaigou significa nove aldeias. O parque repete a contagem, e a contagem é hoje maior do que o lugar: restam apenas três aldeias dentro da área cénica. O nome guarda um número que o mapa atual não tem. Não é um detalhe pequeno. Um nome feito de uma contagem transforma uma paisagem num registo de povoamento, e o registo está incompleto. O parque usa a contagem como nome, não como inventário. As três que restam são as casas dentro do limite, e os seus campos e telhados fazem parte do vale que o parque protege, não são um acessório dos lagos. O nome e o mapa discordam, e o vale vive com os dois.
Os limites
A vida dentro de um parque nacional tem limites. Construir é restrito, cultivar é restrito, e o percurso dos visitantes é fixo. As casas que restam aceitaram um conjunto de regras que seria estranho numa aldeia comum: onde se pode levantar um muro, onde se pode estender um campo, que caminho pode tomar um hóspede. O parque diz que o turismo é hoje a principal economia do vale, e as regras fazem parte desse arranjo. O negócio não é só dinheiro. É também a negociação diária entre um quintal privado e um percurso público, entre um campo que precisa de trabalho e um autocarro que precisa de horário. A aldeia sobrevive dentro dessa negociação, não fora dela.
Uma aldeia, não um diorama
A diferença entre uma aldeia e um diorama não está nos edifícios. Está em saber se o trabalho é real. Um diorama não tem lama no caminho, nem ferramentas deixadas de fora, nem alguém que tenha de acabar antes de escurecer. Nas aldeias o trabalho é real, mas também está à vista, e as duas condições interferem. Uma casa pode reparar um telhado porque tem uma fuga e porque o telhado é visto. As seis maravilhas do parque incluem a cultura tibetana, uma expressão que transforma um modo de vida numa característica da paisagem. A expressão não é falsa. É apenas demasiado lisa. A pergunta melhor é se os campos ainda são semeados e as casas ainda reparadas para uso.