Da revista

Quatro torres brancas em redor de Shengjing

Uma rede de marcos budistas orientada pelos pontos cardeais ajuda a compreender a primeira capital Qing a uma escala maior do que o palácio.

Uma cidade marcada nas quatro direções

A leste: Templo Yongguang. A sul: Templo Guangci. A oeste: Templo Yanshou. A norte: Templo Falun. Cada um estava associado a uma torre budista branca, formando uma rede nas quatro direções em redor de Shengjing, a capital Qing hoje conhecida como Shenyang. O prefixo comum Huguo significa «proteger o Estado», tornando explícita a relação com a autoridade política.

Hong Taiji encomendou o conjunto em 1643. A sua posição prolongava a ordem da cidade para além do palácio e das ruas. Uma torre podia servir de referência distante, enquanto o templo estabelecia um lugar de prática religiosa e administração. Em conjunto, os locais marcavam as quatro direções da capital.

Cada nome direcional refere-se a um local separado. O Templo Shisheng pertence a outra parte da geografia budista de Shenyang e é uma instituição distinta.

Mais do que uma linguagem arquitetónica

As torres usam a forma arredondada de taça invertida associada às estupas do budismo tibetano. Os salões dos templos recorreram às tradições chinesas de construção em madeira. Esta combinação é visível à escala da forma e da estrutura: a massa de uma estupa e a estrutura coberta de um salão fazem trabalhos arquitetónicos diferentes.

O relato histórico oficial identifica funcionários chineses e mongóis e uma figura religiosa mongol entre os responsáveis pela construção. A rede foi feita através da colaboração entre culturas da corte. As suas formas refletem esse trabalho partilhado entre tradições.

O historiador Song Nianshen acrescenta outro tipo de pormenor: as inscrições dos templos usavam manchu, chinês, mongol e tibetano. Na sua leitura, os quatro textos dirigiam-se a públicos diferentes, em vez de funcionarem como uma única mensagem repetida mecanicamente. A língua, tal como a arquitetura, ajudava a corte a descrever a sua relação com as instituições religiosas e com as pessoas a elas ligadas.

Uma origem comum não significa sobrevivência idêntica

A torre ocidental foi reconstruída em 1998 no local original, seguindo a forma da torre anterior. A estrutura antiga tinha sido desmontada em 1968; a reconstrução devolveu o marco ocidental à geografia das quatro torres da cidade.

Os locais adquiriram também papéis contemporâneos diferentes. Uma resposta municipal de 2024 regista espaços de leitura no Templo Falun, a norte, e no Templo Yongguang, a leste, e almoços vegetarianos para visitantes no Templo Yanshou, a oeste. Estes usos integram leitura, hospitalidade e vida religiosa na antiga rede direcional.

O significado da rede atua, assim, em vários níveis. O plano direcional pertence à primeira capital; as estruturas sobreviventes e reconstruídas exigem as suas próprias histórias de construção; as atividades religiosas e comunitárias atuais pertencem às pessoas que usam hoje os locais. Xita pode, por isso, designar tanto um antigo marco ocidental como um bairro muito posterior: os topónimos de uma cidade podem sobreviver às estruturas que os originaram e reunir novas vidas à sua volta.

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