Da revista

Um sino com data

O Templo de Tin Hau de Coloane conserva um sino de bronze datado do 28.º ano do reinado Qianlong: 1763.

Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.
Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.

Um templo anterior ao edifício actual

O Templo de Tin Hau de Coloane conserva um sino de bronze datado do 28.º ano do reinado Qianlong: 1763. O edifício actual, porém, data do período Daoguang. As duas datas contam partes diferentes da história. O sino mostra que o culto no local antecede a estrutura presente, enquanto o edifício regista uma fase posterior da arquitectura do templo.

O templo situa-se no final da Estrada do Almirante Marques Esparteiro. Um par de leões de pedra esculpida guarda a entrada. No interior, as salas e o pátio conduzem os visitantes da rua a uma sequência de espaços devocionais, onde objectos e inscrições conservam as suas próprias cronologias.

Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.
Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.

Tin Hau e um conjunto de divindades

Tin Hau não é a única divindade venerada no templo. O complexo inclui também santuários de Guan Di, o Deus da Riqueza, Lu Ban e Hua Tuo. A sua presença reúne num só espaço religioso local a protecção no mar, a lealdade, a prosperidade, o ofício e a cura. Os fiéis percorrem um recinto partilhado, em vez de uma série de instituições separadas.

Esta combinação reflecte o papel do templo na comunidade de Coloane. A pesca e o trabalho marítimo fazem parte da história da ilha, mas a vida devocional do templo abrange também outras necessidades — saúde, sustento e protecção. O sino de bronze, os leões de pedra e as várias imagens divinas fazem do edifício um lugar onde objectos materiais ajudam a organizar um vasto conjunto de crenças locais.

Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.
Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.

Uma planta de duas salas e um carro de água

A estrutura principal é um edifício de estilo Lingnan com duas salas e corredores laterais cobertos. Cada sala tem três vãos e é precedida por colunas; entre elas, no pátio, encontra-se um pavilhão de culto elevado. A pouca profundidade e altura permitem que a luz e o ar atravessem o recinto, em vez de o fecharem num interior escuro.

Outro objecto ligado à história cívica do templo é um antigo carro de água de madeira, utilizado pelos residentes de Coloane no combate a incêndios, provavelmente no final da dinastia Qing. Encontra-se hoje no Museu do Corpo de Bombeiros. O carro liga o espaço religioso à vida prática da vizinhança: o templo reunia os fiéis, enquanto o equipamento recorda como os residentes também se organizavam em torno de riscos partilhados, como os incêndios.

Templo de Tin Hau em Coloane, com a entrada e o adro.
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