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Guge: palácios e mosteiros sobre uma crista

Na crista de Tsaparang, em Zhada, encontram-se palácios, cavernas e monumentos budistas. Uma nova pesquisa arqueológica refinou as datas de algumas estruturas e mostra como a capital mudou em diferentes fases.

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A cidadela de Tsaparang na antiga cidade de Guge, condado de Zhada
A cidadela de Tsaparang, fotografada em 2016. Foto: Jean-Marie Hullot; CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.

Uma capital em camadas na crista

A antiga cidade de Guge não é um palácio isolado em uma paisagem vazia. Arqueólogos descrevem mais de 1.400 estruturas, entre palácios, cavernas e monumentos budistas importantes como o salão da Mandala e o Templo Branco. À distância, o assentamento parece subir em níveis por uma crista íngreme; de perto, aparecem espaços de épocas e funções diferentes. Um estudo publicado em 2026 na PLOS ONE identifica Tsaparang como centro político e cultural do período tardio do reino de Guge, aproximadamente do século XV até o fim do reino, por volta de 1630.

Ruínas de Tsaparang, antiga capital do reino de Guge
Ruínas da antiga capital do reino de Guge em Tsaparang, fotografadas em 2005. Foto: Pseudois; CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.

Datas obtidas de restos vegetais

A nova cronologia parte de doze amostras de plantas, incluindo caules herbáceos de vida curta e madeira estrutural. A equipe combinou datação por radiocarbono com espectrometria de massa com acelerador, modelagem bayesiana e textos históricos tibetanos. O modelo situa o complexo VIF27 entre 1457 e 1471. A fase do Templo Branco está ligada a estátuas de Buda de meados do século XVI, cujo período final de produção foi delimitado entre 1556 e 1560. Esses intervalos valem para estruturas e objetos específicos que forneceram amostras; não datam todas as casas, cavernas ou paredes da crista.

Uma cidade que mudou com seus governantes

O mesmo estudo situa o reforço de uma torre de vigia em uma fase posterior, entre meados do século XVII e o fim do XVIII. Os autores sugerem mais de um possível contexto histórico e reconhecem que as evidências não permitem escolher um só. Essa cautela torna a cronologia mais útil: o fim do papel político de Guge não congelou a cidade naquele instante. Os edifícios podem ter sido reparados, adaptados a outros usos ou reforçados diante das mudanças regionais. A crista guarda uma sequência de construção e adaptação, não uma cidade concluída e abandonada de uma só vez.

Vários espaços em uma mesma colina

A densidade do sítio mostra que templo, palácio, caverna e moradia podem pertencer à mesma história arqueológica e ainda assim ter funções diferentes. Uma apresentação cultural do condado de Zhada descreve Guge como centro de comércio e tradução de textos budistas; o estudo arqueológico registra edifícios administrativos e religiosos da capital. As fontes respondem a perguntas diferentes, mas juntas devolvem a crista a um mundo regional de poder, fé, intercâmbio e vida cotidiana. Palácios tornam o poder visível; templos e pinturas preservam vestígios do patrocínio religioso; construções menores levam a perguntar como os moradores circulavam e viviam na cidade.

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Créditos e direitos das fotografias
  1. A cidadela de Tsaparang, fotografada em 2016. Foto: Jean-Marie Hullot; CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.Jean-Marie Hullot · CC BY-SA 4.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗
  2. Ruínas da antiga capital do reino de Guge em Tsaparang, fotografadas em 2005. Foto: Pseudois; CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons.Pseudois ( talk ) ( Uploads ) · CC BY-SA 3.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗