Um endereço compartilhado na capital provincial

À primeira vista, a Academia do Clã Chen chama atenção pela ornamentação. Figuras ocupam as cumeeiras; painéis esculpidos e superfícies pintadas conduzem o olhar de um pátio a outro. Mas um fato menos decorativo ajuda a entender o edifício: ele só se tornou possível graças à cooperação entre pessoas que viviam distantes.

O complexo foi criado em Guangzhou por linhagens Chen de 72 condados de Guangdong. Era um santuário ancestral, onde integrantes do clã ampliado podiam homenagear seus antepassados comuns. Também recebia pessoas que vinham à capital provincial para os exames imperiais, oferecendo hospedagem e espaço para estudar. Após o fim dos exames, em 1905, o conjunto tornou-se uma escola industrial e depois abrigou instituições de ensino. Em 1959 abriu como Museu de Artes Folclóricas de Guangdong.

Muitas famílias passaram a ter um endereço comum. O plano organiza três eixos paralelos e três sequências de salões, conectados por pátios e corredores cobertos. Atravessar uma porta leva a um pátio; depois, abre-se outro salão, revelando uma nova parte do conjunto.

O artesanato integrado ao edifício

Portas, janelas, biombos, paredes, vigas e cumeeiras exibem entalhes em madeira, pedra e tijolo, além de escultura em gesso cinzento, cerâmica e metal. O gesso é moldado no local ao redor de suportes e depois pintado; as figuras cerâmicas do telhado seguem outro processo. Um relevo de tijolo incorpora uma cena à parede; a cerâmica acrescenta cor e movimento à linha do telhado; a madeira recompensa a observação de perto. Essas técnicas formam um todo arquitetônico.

A ornamentação pertence a uma instituição que reuniu pessoas de lugares distantes e acolheu quem viajava para estudar na cidade. Ela tornou visível o projeto compartilhado; os salões e pátios permitiram que ele funcionasse.

Um edifício que continuou mudando

A abolição dos exames não congelou o conjunto como memorial de um mundo anterior. Ele assumiu novas funções educativas e mais tarde tornou-se um museu público. Os mesmos pátios que recebiam membros do clã agora acolhem visitantes interessados nas tradições artesanais da região. O edifício é tanto um objeto histórico quanto um registro de adaptação.

Os entalhes fazem mais sentido quando vistos no lugar em que estão: figuras no telhado encontram o horizonte, relevos de tijolo integram uma parede e biombos esculpidos ficam à altura das pessoas. A história está no que foi produzido e também na maneira como o artesanato ocupa espaços usados pelas pessoas.