Da revista

O Palong Tsangpo, um rio alimentado por neve e gelo

O Palong Tsangpo nasce no condado de Baxoi, em Chamdo, atravessa o condado de Bomi, em Nyingchi, e deságua no Yarlung Tsangpo. Um modelo hidrológico de 2023 estima a participação sazonal da chuva, do degelo da neve, do derretimento das geleiras e do fluxo de base na bacia alta.

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As nascentes ficam em Baxoi

O Departamento de Hidrologia e Recursos Hídricos do Tibete situa o início do Palong Tsangpo na extremidade de uma língua glacial da encosta norte do monte Azha Gongla, no município de Ranwu, condado de Baxoi, Chamdo. A partir dessa área, o rio entra no condado de Bomi, em Nyingchi, e mais adiante se junta ao Yarlung Tsangpo. O perfil da bacia do departamento informa 563 quilômetros de extensão e 3.360 metros de desnível; entre os principais afluentes estão Songzong Tsangpo, Bodui Tsangpo, Yigong Tsangpo e Layuequ.

As fronteiras administrativas importam: o lago Ranwu e a geleira Laigu ficam em Baxoi, Chamdo, embora o rio depois se torne parte central da paisagem de Bomi. Um rio conecta lugares sem torná-los intercambiáveis. Este texto acompanha a água a jusante e situa suas nascentes no condado e na prefeitura corretos.

Quatro origens para o fluxo a montante

Em 2023, pesquisadores do Departamento de Hidrologia e Recursos Hídricos do Tibete e da Universidade Normal de Pequim modelaram o escoamento na bacia alta do Palong Tsangpo. O estudo informa que o modelo foi calibrado com vazões mensais, cobertura de neve observada por satélite e escoamento glacial medido. A eficiência de Nash-Sutcliffe foi de 0,95 na calibração e 0,94 na validação. Para a área e o período modelados, estimou que o derretimento glacial contribuiu com 45% do escoamento total, o degelo da neve com 25%, a chuva com 10% e o fluxo de base com 20%.

A contribuição do derretimento glacial foi maior em julho e agosto; o degelo da neve teve mais importância de abril a junho. São resultados do modelo para a bacia alta estudada, não medições em cada aldeia ou ao longo dos 563 quilômetros do rio. Eles mostram que a água tem várias origens e que suas proporções mudam conforme a estação.

Ler a paisagem sem achatá-la

Em Bomi, o Palong Tsangpo percorre vales onde se encontram geleiras, afluentes, encostas florestadas e povoados. O perfil de bacia de 2017 do órgão hídrico enumera afluentes e menciona inspeções de campo em Laigu e Ranwu, a montante, na geleira Midui e no Yigong Tsangpo em Bomi, e num afluente perto de Dongjiu. A sequência dá a dimensão da bacia: um sistema formado por diferentes vales, não por uma única saída glacial.

Um rio alimentado por geleiras molda o ambiente de florestas e aldeias, mas as fontes disponíveis não vinculam uma mata específica a uma geleira nem trazem um levantamento ecológico atual de todo o curso. A perda de geleiras no longo prazo e as variações sazonais de vazão são questões diferentes. O modelo de 2023 aponta que o fluxo glacial pode diminuir ao longo do tempo, mas não prevê quando uma comunidade específica ficará sem água. É melhor ler o rio como uma rede em transformação, que exige observações próprias nas nascentes, nos afluentes e nos vales a jusante.

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