Nos templos e nos altares domésticos, as figuras religiosas começam por ser madeira. O Museu de Macau descreve os artesãos a esculpir as formas e depois a aplicar cores tradicionais ou folha de ouro. A lacagem clássica, os pormenores dourados e os traços faciais dão profundidade a uma imagem destinada à devoção. Entre as divindades representadas encontram-se Gautama Buda, Kun Iam, Mazu e Kuan Tai.
Da revista
Esculpir em madeira uma figura sagrada
A escultura de figuras religiosas em Macau combina madeira talhada à mão, laca tradicional, cor pintada e folha de ouro em imagens destinadas a templos e altares domésticos.

Uma figura ganha forma
Um ofício local com várias influências
A escultura de figuras religiosas de Macau preserva técnicas da tradição chinesa de talha em madeira, incorporando também desenhos e métodos de junção estrangeiros. O ofício tem mais de um século de história em Macau. Prosperou a par da economia piscatória, atingindo o auge nas décadas de 1920 e 1930, quando as figuras religiosas eram amplamente usadas no culto e na oração. Com as mudanças sociais, o comércio diminuiu; os escultores mantêm a tradição através de novos trabalhos e inovação.
Ferramentas, amostras de madeira e memória
Uma exposição do Museu de Macau apresentou cerca de 85 figuras de crenças budistas, taoistas e populares chinesas, juntamente com ferramentas de escultura, amostras de madeira e materiais históricos. Esses objetos mostram diferentes etapas do ofício: a matéria preparada, as ferramentas usadas para lhe dar forma e as figuras acabadas integradas na vida religiosa. A escultura de figuras religiosas entrou na Lista Nacional do Património Cultural Imaterial a 14 de junho de 2008. A inscrição reconhece saberes de oficina que continuam ao serviço de templos e famílias.

