O conjunto de Famen de 874 preserva uma sequência de equipamentos para guardar o chá, moê-lo, peneirar as folhas, ferver a bebida e servi-la. O artigo da revista do Museu do Palácio lista uma caixa de chá, moinho, almofariz, peneira, instrumentos de medida, braseiro, tenazes para o fogo, suportes, xícaras e vasos. A inscrição do inventário também nomeia um conjunto de sete peças, entre elas uma calha de chá, moinho, peneira e colher. Lidos como sequência, os nomes transformam uma exposição de metais preciosos num conjunto funcional. O chá era guardado, moído, peneirado e preparado antes de chegar à xícara; cada utensílio marca uma ação diferente. O conjunto pertence ao contexto das oferendas da cripta e também preserva conhecimentos práticos de preparo.
Da revista
Utensílios de chá, celadão de cor secreta e um inventário
Um moinho de chá de prata, cerâmicas cuidadosamente embrulhadas e o texto de um inventário Tang permitem acompanhar como objetos da corte chegaram à cripta de Famen.
Na mesma cidade · Baoji ↗Uma sequência de utensílios de chá no inventário
Moagem, gravação e marcas de fabricação
O moinho de prata dourada tem uma calha e um rolo. Os sulcos paralelos do rolo ajudavam a esmagar o chá comprimido; seu eixo girava sobre a calha. Padrões de lótus e nuvens foram entalhados na prata e dourados, uma técnica que destaca o ornamento contra o metal. A calha tem tampa, corpo e base, com uma pega em forma de joia e painéis vazados. Sua forma une uma superfície de trabalho a uma decoração elaborada. Uma inscrição gravada informa o peso do rolo: treze taéis. As marcas «décimo sétimo» e «Quinto Irmão» também aparecem no rolo e no eixo. São vestígios breves da organização da oficina ou da propriedade, embora as marcas preservadas não identifiquem um artesão pelo nome. O inventário chama as peças de «calha de chá» e «moinho», vinculando esses detalhes físicos ao conjunto registrado.
Uma tigela que chega embrulhada
O Museu Nacional da China descreve uma tigela de Famen com boca aberta, borda dobrada, corpo curvado para dentro e base plana. Sob ela permanece o vestígio de um suporte de queima. A superfície lisa deixa que o esmalte uniforme e lustroso produza o efeito. Fragmentos do papel de embalagem original aderem à parede externa, incluindo a imagem de uma dama da corte Tang. O museu identifica o recipiente como um dos registrados no inventário da cripta como porcelana de cor secreta. A embalagem conta outra parte da história: colocava-se papel entre as peças de cerâmica para impedir que suas superfícies se esfregassem durante o armazenamento. O papel quase todo se decompôs, mas sua imagem deixou uma marca no recipiente. A forma da tigela, o esmalte, a marca da queima e os resíduos da embalagem preservam etapas sucessivas — da fabricação ao armazenamento cuidadoso e à recuperação na cripta.
A inscrição e o esmalte verde
O inventário registra sete tigelas de cor secreta, duas com bordas de prata, e seis pratos e bandejas. O grupo escavado de treze peças de cerâmica dá a esse texto um equivalente material. Seus esmaltes verdes variam de tonalidade; os registros do museu permitem examinar várias formas de vasos e a embalagem da tigela. O nome escrito, o conjunto contado e os objetos mostram em conjunto como os doadores do final da dinastia Tang classificavam e apresentavam cerâmicas como oferendas. A tigela no Museu Nacional da China é um exemplo identificado especificamente; a contagem da inscrição também chama atenção para os demais pratos e bandejas. Perto dali, o moinho e a peneira de chá preservam outro tipo de registro: as etapas de preparo de uma bebida. Juntos, esses objetos tornam o inventário da cripta legível tanto como lista de oferendas quanto como conjunto cuidadosamente montado de bens da corte.


