Da revista

A Festa do Dragão Embriagado dos peixeiros

Os comerciantes de peixe fresco de Macau percorrem a cidade numa procissão, distribuem arroz da longevidade e dançam com um dragão de madeira coberto de varetas de incenso.

Atuação do Dragão Embriagado em Macau, conforme documentada na fotografia de origem.
Atuação do Dragão Embriagado em Macau, conforme documentada na fotografia de origem.

Uma procissão que liga bairros

A Festa do Dragão Embriagado é uma celebração tradicional dos comerciantes de peixe fresco de Macau. A procissão começa na Praça do Senado e passa pelo Templo Hong Kung, Mercado Vermelho, Mercado de Iao Hon, Templo de A-Má e Rua da Felicidade antes de regressar à praça. Em várias paragens, os organizadores distribuem arroz da longevidade a moradores e visitantes, partilhando bênçãos através da comida.

O percurso leva o ritual às ruas públicas e aos bairros de mercados. Liga lugares associados ao comércio, ao culto e às compras quotidianas, dando forma urbana a uma tradição enraizada na comunidade dos peixeiros. A procissão não fica no pátio de um templo: atravessa os lugares onde as pessoas se reúnem e trabalham.

Atuação do Dragão Embriagado em Macau, conforme documentada na fotografia de origem.
Atuação do Dragão Embriagado em Macau, conforme documentada na fotografia de origem.

Um dragão de madeira em movimento

Os dançarinos transportam um dragão de madeira equipado com varetas de incenso. A autoridade de turismo descreve a atuação como um ritual de bênção: dançarinos de rosto avermelhado dão passos embriagados e lançam aguardente para o céu enquanto avançam. O corpo do dragão curva-se com a procissão, transformando um objeto entalhado num ritmo partilhado pelos intérpretes ao longo do percurso.

Os movimentos combinam controlo e descontração. Os dançarinos parecem cambalear, mas continuam com o grupo e conduzem o dragão nas curvas e pausas. Esse contraste dá nome e caráter à atuação. O incenso, o corpo de madeira e os gestos rituais tornam visível a ligação entre uma dança pública e o desejo de bênção da comunidade.

Participantes associados a um evento do Dragão Embriagado de Macau; fotografia de grupo.
Participantes associados a um evento do Dragão Embriagado de Macau; fotografia de grupo.

A lenda do deus-dragão

O Instituto Cultural regista uma lenda de origem em que os aldeãos, agradecidos pela ajuda durante uma epidemia, veneraram uma píton como deus-dragão e iniciaram uma dança anual. Quando Macau enfrentou doenças mais tarde, a história circulou entre os pescadores locais e a dança do Dragão Embriagado chegou com ela.

A lenda explica o ritual através da gratidão e da proteção. A procissão anual dos peixeiros mantém esse sentido comunitário noutra cidade e noutra época. Macau inclui a Festa do Dragão Embriagado na lista nacional do património imaterial, reconhecendo uma tradição transmitida pelo comércio do peixe, pelas ruas públicas e pelas pessoas que nela participam.

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Créditos e direitos das fotografias
  1. Pauloleong2002 / CC BY-SA 4.0 · CC BY-SA 4.0 Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗
  2. Atuação do Dragão Embriagado em Macau, conforme documentada na fotografia de origem.User:Cdip150 / Public domain · Public domain Fonte da fotografia ↗ Informação de direitos ↗
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