Manasarovar fica numa região árida de altitude, entre a cordilheira Gangdise e o oeste do Himalaia. A Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China descreve a zona úmida de importância internacional como um sistema centrado em dois lagos diferentes: Manasarovar, de água doce, e Lhanag-tso, salino. A área total é de cerca de 100 mil hectares. A água vem do derretimento de neve e gelo das montanhas, de águas subterrâneas e da chuva, sobretudo do degelo. Não é um lago azul isolado, mas um sistema conectado de rios, pântanos e corpos d’água.
Da revista
Manasarovar: água doce, zonas úmidas e peregrinação
Manasarovar integra uma zona úmida de altitude e uma paisagem de peregrinação viva. Os dados ecológicos oficiais distinguem sua água doce da água salgada do vizinho Lhanag-tso; relatos de peregrinação mostram como diferentes práticas religiosas se aproximam do lago.
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Água doce em um planalto árido
Dois lagos, duas águas
A diferença entre Manasarovar e Lhanag-tso é importante. O perfil oficial descreve o primeiro como lago de água doce de altitude e o segundo como salino; a zona protegida também inclui lagos menores, pântanos herbáceos, prados úmidos e áreas fluviais. O registro lista 254 espécies de plantas vasculares e animais protegidos, como grou-de-pescoço-preto, águia-real e argali tibetano. São dados ecológicos da zona úmida, não uma garantia de avistamento em determinada estação. A vida do lago se distribui por diferentes habitats e épocas do ano, muito além do que uma visita breve permite observar.
Água numa rota de peregrinação
Manasarovar também pertence a uma geografia sagrada interpretada de modos distintos. Uma reportagem da AP sobre a peregrinação ao Kailash relata que alguns hindus se banham no lago como ritual de purificação. O mesmo texto afirma que hinduísmo, budismo, jainismo e o bon tibetano consideram o Kailash sagrado, mas não diz que todas as tradições entendem o lago da mesma forma. Ao lado dos dados ecológicos, o ritual revela duas dimensões da água: um ecossistema abastecido sobretudo pelo degelo e pela chuva, e um lugar encontrado por meio de rituais, crenças e histórias transmitidas.
Uma zona úmida viva
A zona úmida não é apenas cenário para peregrinações. Nascentes, riachos, pântanos e lagos compõem um ecossistema de altitude que sustenta a vida numa região de pouca água e grandes variações sazonais. O perfil oficial descreve seu papel para o ecossistema, os seres vivos e a economia local; a lista de espécies mostra a diversidade que compartilha esse território. Significado sagrado e conservação ecológica são maneiras diferentes de compreender o lugar, não categorias incompatíveis. Observando a água e a margem com atenção, percebe-se que cor e extensão são apenas a superfície de uma rede maior.