Da revista

Estradas, pontes e acesso quotidiano em Nujiang

Uma ponte é mais do que uma travessia quando a outra margem tem um pomar, escola ou clínica; em Nujiang, estradas e pontes reconfiguram a escala das tarefas comuns.

O rio no meio de um dia comum

Um vale fluvial íngreme pode fazer duas povoações vizinhas parecerem distantes. Num relatório de 2021 sobre Fugong, uma residente recordou que, antigamente, as pessoas atravessavam o rio Nu por tirolesa ou caminhavam mais de dez quilómetros, passando sete ou oito horas em caminhos de montanha até chegar a uma ponte. O obstáculo fazia parte das rotinas diárias: chegar a um campo, levar produtos ao mercado, visitar familiares ou aceder a serviços de saúde na outra margem.

O mesmo relatório acompanha as pontes à escala do trabalho quotidiano. Depois da abertura da ponte de Munima, uma residente contou que passou a chegar a um pomar e a um jardim de chá na margem oposta em poucos minutos, em vez de fazer um desvio longo. O relatório descreve a construção de 50 pontes em Fugong como parte de uma rede rodoviária mais ampla. Não eram todas estruturas iguais nem tinham todas a mesma finalidade; em conjunto, criaram uma série de travessias locais que ligavam estradas das aldeias a campos e serviços.

Uma estrada é uma cadeia de ligações

Um relatório de 2026 da Comissão Nacional para os Assuntos Étnicos sobre o vizinho condado de Gongshan descreve uma fase mais recente da construção rodoviária: à data da publicação, estradas pavimentadas chegavam às 29 aldeias e comunidades administrativas. O relatório também descreve o túnel de 6,68 quilómetros que atravessou a cordilheira Gaoligong em 2014, pondo fim ao encerramento recorrente de seis meses por causa da neve no vale de Dulongjiang. Os dois relatos mostram formas diferentes de acesso — pontes sobre um rio e um túnel através de uma montanha — numa mesma prefeitura marcada por terreno íngreme.

É tentador descrever estas mudanças apenas em termos de engenharia. O seu significado torna-se mais claro pelas viagens que encurtam. Uma ponte pode levar produtos à cidade ou permitir que um agricultor cuide de uma parcela do outro lado. Uma estrada pode levar um doente a uma clínica ou permitir que um estudante viaje entre a aldeia e a escola. Os rios continuam a definir o vale e as encostas continuam a condicionar as rotas, mas caminhos, pontes e pavimentos formam agora uma rede pública conectada. As distâncias quotidianas não desaparecem; reorganizam-se em torno de formas mais fiáveis de atravessá-las.

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